O meu lado sombra faz parte de mim.
É muito difícil ajustar esta noção aos padrões e preconceitos que me acompanham desde criança. Nesta sociedade. Que sorri por fora e chora por dentro. Que mantém o silêncio para não perturbar e deixa palavras por dizer. Que cobre as olheiras com maquilhagem. Que sente vergonha por não ser um ideal sempre alegre e calmo que só existe na imaginação coletiva e não beneficia ninguém.

O meu lado sombra faz parte de mim.
Quando eu me permito estar triste. Sentir verdadeiramente a raiva quando sobe pelas entranhas. E assumo que preciso de tempo para processar. Que é importante chorar. Que tem de haver tempo e lugar para deixar a pressão sair. Aí, eu cuido de verdade de mim. Cada vez conheço melhor o caminho de regresso a emoções mais confortáveis. Desde que procuro conhecer e ser íntima das minhas emoções desconfortáveis.
Olhos nos olhos, mãos nas mãos, o meu lado sombra e o meu lado luz são apenas um. Opostos inseparáveis.

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