Sentada à beira da ribeira, deixo dissolver a mente. Dou descanso aos pensamentos. Ativo os sentidos. Deixo-me estar.
Sinto, com a pele, o ar fresco da manhã. Respiro essa frescura para dentro do corpo. Há um silêncio bonito à minha volta, que me abraça e embala. Um silêncio feito do burbulhar manso das águas, do chilrear dos pássaros, das folhas das árvores a dançar com a brisa.
Deixo-me estar.

À minha frente um verdadeiro espelho de água reflete tudo tão nitidamente que pareco estar perante dois mundos irmãos. Como se o céu continuasse para debaixo de água. As árvores espreitam-se umas às outras. Espreito também. A água devolve-me o meu reflexo. Sou eu. Mas serei?
Na verdade, tudo o que me rodeia é reflexo. O que eu dou, recebo. Principalmente, o que não se vê. A forma como eu vibro por dentro. Não o que eu quero aparentar, mas a verdade, nua e crua. Então, importa olhar para dentro e perceber o que estou a refletir. Será o que a vida me dá em troca. Sem filtros.

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